Como sua alimentação pode influenciar diretamente na dor da fibromialgia
- kaualemos1
- 25 de set. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 30 de set. de 2025
Você já percebeu que em alguns dias sua dor parece pior sem motivo aparente?
A resposta pode estar no seu prato. A alimentação desempenha um papel muito mais importante na fibromialgia do que a maioria das pessoas imagina.
Vamos entender essa conexão e como você pode usar a nutrição a seu favor.

A Conexão Entre Alimentação e Dor
A fibromialgia está associada a um estado de inflamação crônica de baixo grau no organismo. Certos alimentos podem agravar essa inflamação, intensificando seus sintomas, enquanto outros têm propriedades anti-inflamatórias naturais que ajudam a reduzir a dor, melhorar o sono e aumentar sua energia.
Além disso, o que você come afeta diretamente:
A produção de neurotransmissores relacionados à dor e ao humor
A qualidade do seu sono
Seus níveis de energia ao longo do dia
A saúde do seu intestino (que está intimamente ligada à inflamação sistêmica)
A produção de substâncias pró-inflamatórias no corpo
Alimentos Que Podem Piorar Seus Sintomas
Antes de falarmos do que incluir, é importante conhecer o que pode estar sabotando seu tratamento:
1. Açúcar e Carboidratos Refinados Pães brancos, massas refinadas, doces e refrigerantes causam picos de glicose e insulina, promovendo inflamação e piora da dor. Além disso, o açúcar "rouba" magnésio do seu corpo - e já vimos como esse mineral é importante para fibromialgia.
2. Glúten (para algumas pessoas) Embora nem todos tenham sensibilidade ao glúten, muitos pacientes com fibromialgia relatam melhora significativa ao reduzi-lo ou eliminá-lo. Vale a pena fazer um teste de 30 dias sem glúten para observar se há diferença.
3. Laticínios convencionais Podem aumentar a produção de muco e inflamação em pessoas sensíveis. Se você suspeita de sensibilidade, experimente substituir por alternativas vegetais por algumas semanas.
4. Alimentos ultra processados Conservantes, corantes artificiais, glutamato monossódico (MSG) e outros aditivos podem funcionar como gatilhos de dor em pessoas com fibromialgia.
5. Gorduras trans e frituras Promovem inflamação sistêmica e sobrecarregam o fígado, órgão crucial na desintoxicação do organismo.
6. Álcool e cafeína em excesso Interferem na qualidade do sono e podem aumentar a sensibilidade à dor. A cafeína, especialmente após as 14h, pode prejudicar seu sono noturno.
7. Nightshades (Solanáceas) Algumas pessoas com fibromialgia relatam piora com tomate, batata, berinjela e pimentão. Não é regra para todos, mas vale observar.
Alimentos Que Ajudam a Reduzir a Dor
Agora vamos ao que realmente importa - o que colocar no seu prato:
1. Peixes ricos em ômega-3
Salmão, sardinha, atum e cavala são ricos em ácidos graxos ômega-3, potentes anti-inflamatórios naturais. Objetivo: 2-3 porções por semana.
2. Vegetais verde-escuros
Espinafre, couve, brócolis, rúcula são ricos em magnésio, antioxidantes e compostos anti-inflamatórios. Quanto mais cor, melhor!
3. Frutas vermelhas e roxas
Morango, mirtilo, amora, framboesa contêm antocianinas, poderosos antioxidantes que combatem inflamação.
4. Oleaginosas e sementes
Amêndoas, nozes, castanhas, chia, linhaça fornecem magnésio, ômega-3 e gorduras saudáveis.
5. Azeite de oliva extra virgem
Rico em oleocanthal, um composto com ação similar ao ibuprofeno, mas natural e sem efeitos colaterais.
6. Cúrcuma (açafrão-da-terra)
A curcumina presente na cúrcuma tem ação anti-inflamatória comprovada. Use com pimenta-do-reino preta para melhor absorção.
7. Gengibre
Outro potente anti-inflamatório natural que pode ser consumido em chás, sucos ou adicionado às refeições.
8. Abacate
Fonte de gorduras saudáveis, magnésio e antioxidantes.
9. Chá Verde
Rico em antioxidantes (catequinas) com propriedades anti-inflamatórias.
10. Alimentos ricos em triptofano
Banana, aveia, cacau, ajudam na produção de serotonina, melhorando humor e sono.

Padrão Alimentar Anti-Inflamatório
Mais importante que alimentos isolados é seguir um padrão alimentar anti-inflamatório:
Dieta mediterrânea adaptada
Este é um dos padrões mais estudados e recomendado:
Base de vegetais, frutas, leguminosas
Proteínas magras (peixes, aves, ovos)
Gorduras saudáveis (azeite, oleaginosas, abacate)
Grãos integrais (se tolerar)
Temperos naturais e ervas
Mínimo de alimentos processados
O Teste de Eliminação
Se você suspeita que certos alimentos pioram seus sintomas, experimente o protocolo de eliminação:
Elimine o alimento suspeito por 30 dias
Observe mudanças nos sintomas
Reintroduza o alimento e observe a reação
Decida se vale a pena mantê-lo na dieta
Integração com Seu Tratamento
A alimentação anti-inflamatória não substitui outros tratamentos, mas potencializa tremendamente os resultados. Durante as consultas abordamos também aspectos relacionados à alimentação, já que determinados alimentos podem agir como gatilhos para a dor, fadiga e inflamação.
Meu trabalho não substitui o acompanhamento de um nutricionista, mas envolve aconselhar, identificar padrões alimentares que podem estar relacionados aos sintomas e sugerir ajustes práticos.
Lembre-se: cada refeição é uma oportunidade de nutrir seu corpo e reduzir a inflamação. Pequenas mudanças consistentes trazem grandes resultados ao longo do tempo.
Referências científicas:
Nutrição Clínica e Medicina Integrativa, 2024
Brazilian Journal of Pain Research
International Journal of Clinical Nutrition



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